Um dia perfeito em Lisboa: com alma, calma e significado

Lisboa é daquelas cidades que pedem um olhar mais demorado. Não é lugar para correr de atração em atração, mas sim para se deixar levar pelos detalhes: a luz dourada refletindo nas fachadas, o som dos elétricos, o aroma do café e dos doces com gemas desfilando pelas ruas,a riqueza da arquitetura…

Delicie-se com esse roteiro de um dia perfeito que fiz por lá. É para quem gosta de viajar com o coração aberto e os sentidos atentos. Gosta de parar nos cafés centenários da cidade para apreciar um bom café ou um vinho e ainda observar o vai e vem de pessoas pelas calçadas. Para relaxar e colocar em dia aquela conversa, fazer planos ou simplesmente apreciar o ambiente à sua volta.

Manhã: quando o dourado invade o ambiente

Me hospedei num hotel, que já abrigou um convento, em Alfama. Na minha suíte a vista para o Tejo era perfeita… a luz do amanhecer refletida no rio, que parecia dourado, trazia já, logo cedo, um quentinho no coração e dava sinais do dia fantástico que viria pela frente.

Apreciei a paisagem, tomei meu café demoradamente, comi pastéis de nata quentinhos. (Aliás, já marque na sua agenda uma visita ao original Pastel de Belém, porém experimente também o da Manteigaria… não sei te dizer qual o mais gostoso. São experiências distintas, mas o sabor deles é muito diferente dos que geralmente consumimos aqui no Brasil… valem cada mordida).

Após o café da manhã, a primeira parada foi no Largo Portas do Sol para uma típica foto com as casas coloridas e com o famoso bondinho, também conhecido como elétrico. Como estava num bairro alto – e sim, Lisboa é cheia de sobe e desce  – resolvemos descer a pé, mesmo porque gostamos muito de conhecer as cidades caminhando. 

Depois, uma parada estratégica no Miradouro de Santa Luzia, para ver mais um pouco do rio Tejo e das casas lisboetas. Paisagem digna de se apreciar por horas. 

Continue a descer e estará na famosa igreja da Sé – só sua fachada medieval já impressiona muito e vale a pena a visita. Eu, pelo menos, adoro estar em contato com a arquitetura das igrejas e ver a riqueza dos detalhes… é como fazer uma volta ao tempo! Mais que templos de oração, as igrejas são verdadeiras obras de arte espalhadas por toda a cidade.

Desça mais um pouco e perca-se pelas ruas, lojas e visite aquela famosa loja das latas de sardinha: O Mundo Fantástico da Sardinha Portuguesa. É bonita, diferente e costuma ser um presente diferenciado para se levar da região. 

Pronto. Agora você já chegou ou está muito perto do Arco da Rua Augusta e da Praça do Comércio. Ande por ali sem pressa. Visite lojas de souvenirs ou lojas locais. Tire fotos, claro, e sugiro uma parada para saborear o melhor bolinho de bacalhau da vida: recheado com queijo da Serra da Estrela. Eu comi e indico a Cozinha d´avó Celeste. Crocante, cremoso e tudo de bom.

Um pouco de boemia no meio da tarde

Dali, siga para o Chiado: um bairro boêmio lisboeta e que vale o esforço de cada rua que você irá subir para acessá-lo. 

Bons restaurantes, lojas, docerias… enfim, uma infinidade de atrações e lugares para você desfrutar da gastronomia portuguesa. 

Eu parei no famoso, histórico e centenário Café a Brasileira. O ambiente interno é lindíssimo, mas sentar nas mesas de rua te proporciona uma experiência um tanto diferente. Você observa moradores, turistas e ainda, se der sorte, pode assistir a alguma boa manifestação artística de rua, como uma boa música.. Ali experimentei um tipo diferente de rabanada, com calda de queijo, acompanhada de um cafezinho.

E, como gosto de experimentar a culinária local, passei também na doceria Alcoa. Ali você corre o risco de perder o limite…rs. A vitrine deles é espetacular, inclusive com doces premiados. Me deu água na boca só de lembrar. 

Aproveite a tarde pelas ruas do Chiado. Explore praças, comércio, a cultura de rua. Se perca e se ache. Ande um pouco, visite as ruínas do Convento do Carmo e depois poderá acessar o elevador de Santa Justa e descer novamente para a parte plana de Lisboa. 

Um pôr do sol no Castelo

Para o finalzinho da tarde, vale pegar do tradicional Bondinho 28. Prepare-se para se equilibrar, pois o bonde anda rápido e o trajeto é cheio de curvas. Pare no Castelo de São Jorge. Visite as dependências do Castelo e depois deleite-se com o belíssimo pôr do sol, onde avista-se, do alto, toda a parte histórica de Lisboa e o rio Tejo, numa combinação de cores que mesclam o azul, com amarelo, acinzentado e rosa…

E, quando anoitecer, desfrute de uma bela imagem da cidade por meio das luzes das casas acesas e o céu escuro, talvez com uma linda lua. Tive a oportunidade de registrar o momento numa das janelas do castelo, com a cidade ao fundo… uma cena diferente e bonita de se presenciar. 

Ao sair do Castelo, preste atenção no bairro. Veja que lá é comum as pessoas pendurarem as roupas para fora da janela…se quiser, pare em algum barzinho com mesas nas calçadas e tome um drink, um vinho, antes de seguir para um típico jantar português. 

Agora um belo bacalhau

Feche sua noite com chave de ouro visitando um típico, pequeno e familiar restaurante português. Eu fui na Casa da Tia Helena. Chegue cedo, pois o local é pequeno e lota rapidamente. Com paredes de azulejos (muito comuns nos restaurantes) e louças de cerâmica mais rústica, o ambiente é alegre e divertido. 

Experimentamos o Bacalhau à Brás (que ganhou meu coração nessa viagem e experimentei em mais de um restaurante) e outro com batatas ao murro. E claro que acompanhado de um bom vinho local.

Dica Final:
Em Lisboa, o segredo é estar presente. Não há roteiro perfeito se você não permitir que a cidade te surpreenda. Curta cada rua, cada café, cada restaurante. Aprecie a arte à céu aberto e aproveite!

Me conta nos comentários se você ficou com vontade de visitar algum desses lugares ou se conhece algum deles e experienciou algo diferente.

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